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A PANDEMIA E A TELEMEDICINA

O cenário da pandemia pela Covid-19 mostrou que foi um equivoco ter sido revogada a Resolução de Telemedicina 2.227/18 do Conselho Federal de Medicina, em 2019. Se tivesse sido mantida, já teríamos estruturado e amadurecido melhor as ações da telemedicina no Brasil, definindo a qualidade das plataformas, principalmente do ponto de vista da segurança digital, entre outras. A afirmação é do especialista em telemedicina, Dr. Chao Lung Wen.

Nesse momento, prossegue o Dr. Chao, temos que tomar cuidado com a falta de critério com que estão utilizando recursos digitais de comunicação não segura para a realização de Ato Médico. Vejo empresas e médicos usando Whatsapp para fins de atendimento ao paciente. Isso não deve ser feito! O Whatsapp foi criado para ser um recurso de facilitação de comunicação entre as pessoas. Mas não foi projetado para ter recursos de segurança que evitem o vazamento de dados e a checagem de autenticidade de pessoas. Pode ser utilizado como recurso de suporte ou orientação adicional ao paciente, mas não para realização de uma teleconsulta.

Chao Lung Wen, médico com atuação em Telemedicina desde 1998, Professor da Faculdade de Medicina da USP, Líder do Grupo de Pesquisa USP em Telemedicina, e Health no CNPq/MCTIC, explica: “a melhor escolha de ferramentas para fins de telemedicina deveriam ser os recursos digitais homologados como HIPPA compliance (Health Insurance Portability and Accountability Act).

Não podemos esquecer que uma teleconsulta ou teleatendimento deve ser entendido como ato médico, pois é um método de raciocínio clínico investigativo, envolvendo entrevista estruturada, registro em prontuário digital onde se documenta o atendimento, hipótese, conduta e armazenamento dos dados de forma segura, para que possam ser utilizados como documentação e para fins éticos legais, se necessário.

No cenário atual da pandemia por Covid-19, a telemedicina é a melhor escolha para viabilizar a continuidade da organização dos atendimentos médicos. Vale destacar que não existe competição entre medicina e telemedicina. O que realmente existe é a expansão da medicina para a medicina conectada com o uso da telemedicina, que deve ser vista como uma extensão de estratégia dos médicos para provimento de melhor acesso a saúde ou, eventualmente, como uma estratégia para acompanhar melhor seus próprios pacientes. No cenário da pandemia, não podemos esquecer que todas as outras doenças existem e precisamos encontrar a melhor forma de cuidar dos nossos pacientes que já estão em atendimento.

Finalizando, não podemos esquecer que nossa urgência hoje é realizar telemedicina ética e responsável, definindo a qualidade para os nossos atos e trabalhos médicos, procurando garantir sigilo dos dados que estão nessa relação médico paciente. Telefone não é telemedicina. Telefone é um sistema de orientação e apoio por voz aos pacientes. O uso de videoconferência para cuidar de pessoas é mais efetivo, pois as câmeras permitem fazer a avaliação clínica do paciente por observação direta e não apenas baseada na descrição relatada por alguém. Temos que tomar cuidado para não associar recursos tecnológicos de apoio com a atividade de telemedicina.”

A telemedicina para enfrentamento da pandemia por Covid-19 foi respaldada por oficio do CFM para o Ministério da Saúde (Ofício CFM nº 1756/2020). O projeto prevê ainda a ampliação do serviço de telemedicina após o fim da pandemia, com a regulamentação dessa modalidade de atendimento pelo Conselho Federal de Medicina.

Segundo médicos consultados, os benefícios dessa medida ficam ainda mais evidentes neste momento de isolamento social. A possibilidade de um médico poder atender e esclarecer o paciente sem se deslocar é de fundamental importância para ambas as partes.