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As conquistas e os desafios da mulher na saúde

O dia internacional da Mulher, mais que uma data comemorativa, é uma oportunidade de reflexão sobre a participação feminina na nossa sociedade. Celebrar as conquistas alcançadas até aqui, compreender as desigualdades que ainda persistem e pensar coletivamente nas soluções cabíveis a cada um para superar os desafios da mulher na saúde.

Aumento da presença da mulher na saúde

Entre as conquistas das mulheres, pode-se destacar o aumento da presença feminina na força de trabalho da área de saúde, destacado na pesquisa “A força de trabalho do Setor Saúde no Brasil: Focalizando a Feminização”, realizada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz): “No setor de saúde, a participação feminina chega a quase 70% do total, com 62% da força de trabalho das categorias profissionais de nível superior, chegando a 74% nos estratos profissionais de níveis médio e elementar”.

Esse aumento é um fenômeno presente em todo o mundo. Considerando o caso específico do Brasil, dados do IBGE mostram uma grande presença da mulher na saúde, com ênfase nos cargos de níveis técnico e auxiliar – entre os postos de trabalho de técnicos e auxiliares de enfermagem,  por exemplo, 86,93% são ocupados por profissionais do sexo feminino.

mulher na saúde

Jornadas contínuas no trabalho e na vida privada

Cargos de níveis técnicos e auxiliares nem sempre oferecem uma remuneração suficiente para garantir o sustento e conforto do trabalhador. É muito comum que profissionais da saúde, de forma geral, trabalhem em mais de um local, alternando plantões para complementar a renda familiar. Considerando a predominância feminina nesses cargos, elas ocupam uma boa parcela dessa estatística.

Além disso, o ingresso da mulher na vida pública não foi acompanhado de sua liberação das atividades próprias da vida privada, nem de uma divisão mais igualitária entre os gêneros quando se trata de trabalho doméstico e não remunerado. Ao contrário, persiste a tradicional divisão sexual do trabalho: as atividades relacionadas com a alimentação da família, o cuidado com os filhos e a limpeza da casa continuam sendo desempenhadas, quase exclusivamente, pela mulher.

Salários menores e menos posições de liderança

Estudos sobre a força de trabalho na saúde brasileira revelaram que 68% das mulheres médicas recebiam salários inferiores a 10 salários-mínimos; os médicos em tal faixa salarial representavam apenas 21%. O quadro se inverte nas faixas salariais acima de 10 salários-mínimos, em que profissionais masculinos somam 78%, enquanto os femininos 33%. É importante frisar que, no período analisado, 50% das mulheres médicas tinham jornadas de trabalho acima de 50 horas, enquanto os médicos somavam 30% – o que descarta a hipótese de que jornadas de trabalho mais longas propiciam maiores rendimentos mensais.

Embora tenham a vantagem numérica do total de profissionais, as mulheres na saúde ocupam menos cargos de liderança, tanto na gestão pública quanto em instituições particulares. À maioria, falta autonomia e preparo para tomada de decisão até mesmo nas funções operacionais.

Educação pode reduzir disparidades

Todos os problemas encontrados pelas mulheres no setor da saúde são reflexos de questões presentes em outras áreas e na sociedade como um todo. Mas como as instituições de saúde podem ajudar, individualmente, a reduzir essas disparidades entre os gêneros?

Como visto, nem sempre mais tempo de escolaridade significa melhores salários, condições de trabalho e autonomia. Mas capacitar profissionais para desempenharem bem as suas funções dentro do que a instituição necessita é uma forma de valorizar essa força de trabalho e torna-la apta a tomar decisões e ascender profissionalmente.

No atual cenário, as jornadas de trabalho se acumulam dentro e fora do ambiente profissional, dificultando o acesso à educação complementar fora do expediente. É fundamental que as instituições desenvolvam programas educacionais dentro do seu próprio espaço, e que os cursos sejam realizados presencialmente e durante o horário de trabalho. O impactos positivos dessa medida são muitos e não afetam apenas as mulheres, mas podem fazer uma grande diferença na geração de oportunidades mais igualitárias dentro da saúde.