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Como preparar pessoas para inovação na área de saúde

A inovação é um tema que vem provocando os profissionais e empreendedores envolvidos na área de saúde a pensar como será o amanhã no setor. Temas como telemedicina, uso de ferramentas para auxiliar em diagnósticos e o uso de robôs em procedimentos e cirurgias são alguns dos temas presentes em calorosos debates na comunidade da saúde. A inteligência artificial já é uma realidade, mas os profissionais e as instituições estão preparados para atuar nesse novo mundo tecnológico? Como preparar pessoas para inovação na área da saúde?

O chefe da disciplina de Telemedicina da USP, Professor Chao Lung Weng, diz que o novo cenário exige profissionais bem preparados, mas que a tecnologia não tomará o lugar das pessoas: “Muita coisa vai mudar, algumas funções vão deixar de existir, mas surgirão outras. Em alguns casos, é preciso adquirir novas habilidades, o mundo exigirá um profissional cada vez mais bem preparado, que use a tecnologia para melhorar a qualidade dos serviços.”

 

Inovação transformará ecossistema da saúde

Na visão de Chao, até 2025 o ecossistema da saúde estará totalmente transformado, existindo uma série de serviços e habilidades atualmente inexistentes ou incipientes como: telemulticare domiciliar, telediagnóstico, telejunta, telemonitoramento, hospitais digitais conectados e uma educação digital em multicompetências (EDM) que capacitará esses profissionais para essa nova realidade:

“O professor e o instrutor serão peças fundamentais para o treinamento de novas habilidades. A medicina continuará a ser a base de tudo. A esse conhecimento se juntarão novas capacitações para deixar esse profissional preparado para atuar em um novo ecossistema”, Prof. Dr. Chao Lung Wen.

Chao Lung Wen Inovação

Prof. Dr. Chao Lung Wen

Valorização dos profissionais

Para Chao, o centro de tudo estará, assim como hoje, no conhecimento, na educação e no treinamento desses profissionais. Para ele, o professor continuará sendo cada dia mais fundamental. É a educação que prepara os profissionais da saúde a terem cada vez mais autonomia (adquirida pelo domínio da função), atitude, uma visão construtivista e atuarem como cidadãos. A telemedicina e a tecnologia não afastam o médico, os enfermeiros e demais profissionais do paciente. Ao contrário, ela aproxima, porque permite ao profissional ser muito mais assertivo em suas decisões, a usar seu tempo para se dedicar e ver um quadro completo do paciente.

 

Tecnologia não substitui o trabalho humano

Lídia Abdalla, Presidente Executiva do grupo Sabin de Medicina Diagnóstica, conta que o Grupo Sabin já vem utilizando novas tecnologias e que a tecnologia veio para ajudar o profissional a exercer melhor sua atividade. Para ela, é preciso aproveitar as inovações tecnológicas para potencializar o trabalho humano e não para substituí-lo:

“A ideia é usar a tecnologia para que os profissionais não precisem realizar trabalhos repetitivos e, assim, possam focar no trabalho intelectual, criativo e humano que a máquina não pode fazer. Para nós, pessoas não são custos, são investimentos.”

Ela ressalta que embora as novas tecnologias costumem gerar apreensão, devido à possibilidade de substituírem determinadas profissões, o papel do médico não está em risco neste cenário. “As pessoas buscam acolhimento, cuidado e escuta em uma consulta, não apenas um diagnóstico. O médico que gosta de trabalhar com pessoas sempre vai ter espaço. Aquele que só quer interagir com máquinas é que pode, em algum momento, ser sobrepujado pela tecnologia”, opina.

 

Capacitação profissional é um dos desafios para a inovação na área de saúde

O professor Chao Leng tem uma visão concreta de como o ecossistema da saúde estará montado em 2025. Ele vê um espaço virtual que armazenará os dados (nuvem digital segura), que incluirá: portabilidade clínico geral, centros de convenções digitais, bibliotecas digitais, entre outros, tudo interligado com fibra ótica e utilizando conexão 4G e 5G. Na sua concepção, esse ecossistema reunirá uma série de ativos de diferentes segmentos e conhecimentos da cadeia da saúde.

O problema é que embora o uso de mais tecnologia já seja realidade hoje em algumas instituições, as faculdades de medicina e de outros segmentos da cadeia da saúde ainda não vivem essa transformação nem ensinam essas novas tecnologias para seus alunos.

Para o  professor Chao, isso é um desafio

“A educação digital em multicompetências é fundamental para esse profissional do futuro, um futuro que é imediato. Estamos falando de 2025, ou seja, muitos alunos que entram hoje nas faculdades já se formarão nesse novo mercado, que é daqui a seis anos. As faculdades de medicina ainda não trabalham massivamente esses temas, mas eles já estão presentes no dia a dia dos profissionais. Isso não significa, entretanto, que os médicos, enfermeiros e demais profissionais deixarão de ter espaço na medicina, mas certamente significa que eles precisarão estar preparados para lidar com esse novo mundo conectado”, conta.

 

Comunidade médica já iniciou processo de transformação no mercado

Para Josier Vilar, presidente do IBKL e do Fórum Inovação Saúde (FIS), que já trouxe o tema “Empreendedorismo e Inovação na Saúde”, a comunidade médica já vem utilizando tecnologia e conectividade em suas atividades, embora reconheça que ainda há um longo caminho a seguir:

“Nós temos uma grande comunidade científica debruçada sobre o tema inovação na saúde e produzindo coisas muito boas. Temos grandes pesquisadores nas universidades produzindo conhecimento que já vem sendo incorporado ao dia a dia dos profissionais. Alguns hospitais, por exemplo, já usam robôs para auxiliar em atividades médicas (como cirurgias), algumas instituições utilizam inteligência artificial em gestão e governança (armazenamento e análise de dados) e em muitas outras atividades”, reconhece.

Mas Josier Vilar diz que isso ainda não é rotina e que o setor precisa se preparar para incorporar a nova revolução do conhecimento. E que, principalmente, os profissionais precisam ser capacitados para serem a parte principal desse novo cenário, mais tecnológico. “Eu digo sempre que medicina é feita para pessoas, por pessoas. A tecnologia é só um meio para melhorar a competência e as soluções para resolver os problemas da saúde vividos pelas pessoas. Nós nos preocupamos com a tecnologia, precisamos da tecnologia, mas no fim de tudo o que importa é a saúde do paciente”, conclui.