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Mesa redonda debate como a educação pode garantir a segurança do paciente

Na última sexta-feira (7), o 1° Congresso Brasileiro para a Qualidade do Cuidado e Segurança do Paciente, organizado pela SOBRASP, teve a Educação como tema de uma mesa redonda. A mesa com tema Educação para Segurança do Paciente foi moderada por Sabrina Duarte (UFRJ), com palestras de Vera Marra (Fundação Saúde do Rio de Janeiro), Marise Reis de Freitas (UFRN) e Cristiana Silveira, Gerente de Soluções Educacionais do IBKL.

Estratégias para o ensino de habilidades não técnicas

Em sua palestra, “Estratégias pedagógicas para o ensino- aprendizagem de habilidades não técnicas”, Cristiana Silveira revisitou os conceitos de habilidades técnicas e não técnicas, explicando que as habilidades técnicas são ligadas aos conhecimentos relacionados a diagnóstico, tratamento e cuidado. Já as habilidades não técnicas estão relacionadas aos fatores humanos. Para obter uma performance adequada para a segurança do paciente, o profissional precisa dominar ambas.

Cristiana explica: “Podemos fazer duas perguntas para diferenciar habilidades técnicas de habilidades não técnicas: Para habilidades técnicas: quais os conhecimentos são necessários para realizar uma tarefa? Para habilidades não técnicas: como aplicar os conhecimentos para realizar uma tarefa?”.

Sendo assim, comunicação, segurança, liderança, trabalho em equipe, consciência da situação, capacidade de tomada de decisão e gerenciamento de fadiga são algumas das habilidades não técnicas que precisam ser trabalhadas com os profissionais de saúde em treinamentos para que as habilidades técnicas sejam aplicadas de forma adequada.

Para que o ensino seja eficaz, segundo Cristiana, o aluno precisa estar ativamente envolvido no processo de ensino aprendizagem. O instrutor – ou facilitador – deve sempre levar em consideração os fatores que funcionam como estimulantes especificamente no ensino de adultos, como: resolução de problemas, aplicação prática imediata, consideração das experiências prévias do aluno e motivação.

“Temos que nos preocupar não só com o que vamos ensinar, mas em como vamos ensinar. Esse é o diferencial: como vamos fazer o aluno entender. Ele tem que entender por si só, o professor precisa ser um facilitador do processo, não um mero transmissor de conhecimento. O aluno precisa não só ouvir, mas também discutir, pensar, ensinar e refletir criticamente sobre o que está acontecendo”.

Educação para segurança do paciente

Métodos problematizadores e simulação realística

Existem diversos métodos ativos que são utilizados no treinamento de profissionais de saúde. Em sua palestra, Cristiana Silveira abordou três deles: a problematização, a aprendizagem baseada em problemas e a simulação realística. Na problematização, os aprendizes discutem alguma situação do seu dia-a-dia no setor e, diante dessa observação da realidade, traçam pontos-chaves para a resolução dos problemas. Na aprendizagem baseada em problemas o processo é semelhante, mas o facilitador é quem conduz o caso, introduzindo um problema específico que deve ser discutido e resolvido pelos treinandos.

A simulação realística reproduz situações reais colocando o aluno dentro de um cenário similar ao que ele encontrará no seu dia-a-dia de trabalho. Esta metodologia é muito importante para o desenvolvimento das habilidades não técnicas. Cristiana detalha:  “Trabalhamos a partir dos cenários clínicos. Tem uma situação problema, os treinandos criam hipóteses com base nos dados clínicos apresentados e apoiados nos conhecimentos técnicos que eles possuem, fazem um diagnóstico, tomam as decisões que eles consideram importantes e em seguida é feito um debriefing, que é a discussão pós caso clínico”.

Cristiana apresentou em sua palestra um exemplo de cenário usado para o treinamento da habilidade de comunicação de notícias difíceis. Nele, um ator representa um famoso jogador de futebol que sofreu um acidente de moto e precisará amputar a perna. O profissional de saúde precisa dar a ele essa notícia: “Tem pessoas que não conseguem dar a notícia. O ator estimula, pergunta, reage, mas muitos não conseguem. E é o nosso dia-a-dia, precisamos encarar esse desafio”, explica.

Entre as vantagens da metodologia da simulação realística, ela destaca ainda a maior retenção de conhecimento, já que o treinando tem um papel ativo na resolução do problema e o foco na segurança do paciente, por se prepararem para uma situação em um ambiente controlado, com atores e/ou robôs antes de colocarem em risco a vida de um paciente real.

Metodologias ativas na educação de profissionais de saúde

A Dra. Vera Marra, especialista em Segurança do Paciente falou em sua palestra “Ensino de Segurança do Paciente: o que, para quem e quando” sobre a eficácia das metodologias ativas para uma melhor assimilação do conteúdo pelos profissionais de saúde – metodologias essas que são recomendadas pela Organização Mundial da Saúde. Vera defende também a educação permanente para profissionais de saúde que já estão atuando no mercado e, em seus cursos, trabalha com metodologias ativas para obter melhores resultados na aprendizagem:

“Eu boto os alunos no palco para fazerem, discutirem, falarem e ensinarem. É assim que eles aprendem 95% do conhecimento que se requer e desenvolvem habilidades – porque são metodologias que ativam habilidades não técnicas também. Estamos tendo resultados excelentes e uma resposta maravilhosa dos alunos. São todos diretores de unidades, médicos e enfermeiros de unidades, que tem várias coisas para fazer, mas nunca perdem as aulas, porque gostam da metodologia. As metodologias ativas não são apenas para a graduação, elas são para todos”.

Para saber mais sobre a simulação realística e levar esta metodologia para a sua instituição de saúde, entre em contato conosco.