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Novembro azul | Coronavírus e diabetes: por que o risco é maior?

 Desde o surto inicial da Covid-19, muita atenção tem se voltado para as pessoas com diabetes em razão de maiores complicações  naqueles que contraem a infecção. Um estudo da Lancet Diabetes & Endocrinology analisou 61 milhões de registros médicos no Reino Unido e mostra que 30% das mortes de Covid-19 foram de pessoas com diabetes. Depois de levar em consideração fatores de risco como privação social, etnia e outras condições médicas crônicas, o risco de morrer de Covid-19 ainda era quase três vezes maior para pessoas com diabetes tipo 1 e quase duas vezes maior para o tipo 2, em comparação com aqueles sem a combinação de coronavírus e diabetes.

 

Por que a combinação de coronavírus e diabetes aumenta o risco de sintomas graves?

Ao longo da vida, problemas com glicose em excesso ou em falta infligem danos generalizados nos rins, coração e fígado, bem como em torno dos nervos. Acidente vascular cerebral, ataque cardíaco, insuficiência renal, doença ocular e amputações de membros podem ser o resultado de um controle insuficiente da glicose. O revestimento dos vasos sanguíneos por todo o corpo torna-se tão frágil que não conseguem transportar os nutrientes necessários tão bem quanto deveriam. A inflamação aumenta e o sistema imunológico não funciona bem. A obesidade, que é mais comum em pessoas com diabetes tipo 2, mas que também pode ocorrer no tipo 1, agrava todas essas condições. 

Pessoas com obesidade, via de regra, têm menor aptidão cardiorrespiratória, o que significa que não podem se mover tão bem devido à função pulmonar mais pobre, possivelmente apneia do sono grave e doença dos vasos sanguíneos. 

Alguns estudos reforçam a ideia de que não é apenas a obesidade, mas também a hipertensão e outras doenças cardiovasculares que apresentam maior risco.

 

Cenário no Brasil

No Brasil, uma pesquisa feita com 1.701 brasileiros com diabetes mostrou como a pandemia por Covid-19 alterou seus cotidianos, controle da doença, padrão de alimentação, atividade física, acesso a medicamentos e serviços de saúde. A pesquisa “The impact of COVID-19 on people with diabetes in Brazil” mostra que 79% das pessoas com diabetes não receberam seus medicamentos e insumos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para o período de 90 dias. Além disso, os hábitos também foram muito alterados e houve uma redução considerável da prática de exercícios físicos.

 

Veja a seguir as orientações gerais publicadas pela Sociedade Brasileira de Diabetes:

 

  • Por que as pessoas com diabetes estão no grupo de maior risco de infecção em relação ao COVID-19?

Pessoas com diabetes não tem maior risco de infecção, mas sim de maior gravidade da COVID-19.

  • Pessoas com diabetes controlado têm menos risco de complicações relacionadas ao coronavírus?

O risco de complicações pelo COVID-19 é muito menor e quase igual ao das pessoas sem diabetes se os níveis de açúcar no sangue estiverem controlados.

  • As pessoas com diabetes estão no grupo de maior risco para evoluir com as formas graves da doença?

As pessoas com diabetes que estão no grupo de maior risco para evoluir com as formas mais graves da doença são aquelas com longa história de diabetes, mau controle metabólico, presença de complicações, doenças concomitantes e especialmente idosos (maiores de 60 anos), independentemente do tipo de diabetes. 

O risco de complicações na pessoa com diabetes bem controlado é menor, tanto para diabetes tipo 1 quanto para tipo 2.

  • Os sintomas da COVID-19 são diferentes em pessoas com diabetes? 

Não, os sintomas serão os mesmos da população sem diabetes. Os sintomas mais comuns são febre, tosse seca e cansaço. Podem estar associados: coriza, obstrução nasal, dor de garganta. Quadros gastrointestinais como diarreia são menos frequentes. A maioria das pessoas infectadas apresentam sintomas leves (febre, tosse e, em alguns casos, pneumonia). Cerca de 14%, a menor parte das pessoas infectadas, podem desenvolver sintomas graves (dificuldade em respirar e falta de ar), necessitando internações para tratamento com suporte de oxigênio.

  • Todas as pessoas com diabetes tem imunidade baixa? A ausência ou pouca  insulina afeta a imunidade?

A baixa imunidade na pessoa com diabetes está ligada à elevação do açúcar no sangue, não à falta de produção de insulina. Por isso o controle da glicemia, através de monitorização, uso adequado da insulina ou medicação oral, alimentação equilibrada e exercício físico é tão importante. Ele vai permitir que a pessoa com diabetes enfrente o coronavírus com menos riscos à sua saúde.

 A pessoa com diabetes que está muito acima do peso também pode ter a imunidade afetada por ter maior inflamação desenvolvida por este excesso de peso.

  • O risco de complicações da COVID-19 é maior tanto para quem tem diabetes tipo 1 quanto tipo 2?

O risco de complicações é maior para aqueles com 60 anos ou mais, que já tenham complicações do diabetes, com outras doenças como a pressão alta e que estão com altos níveis de açúcar no sangue, independente do tipo de diabetes.

  • Pré-diabetes é considerado grupo de risco?

Não há dados disponíveis com nível de evidência que possa afirmar que pacientes pré-diabéticos tenham risco aumentado diante de uma infecção do coronavírus.

Deve-se observar se o pré-diabetes está presente em pessoas com outras patologias associadas e em idosos.

Orientamos que todos as pessoas, em risco ou não, devam seguir as mesmas orientações gerais para evitar o contágio. Além disso, seguir todas as orientações das autoridades sanitárias vigentes.

  • É possível diferenciar a “síndrome gripal” causada pelo Coronavírus do vírus da Influenza nas pessoas com diabetes?

Não é possível diferenciar, tanto em pessoas com ou sem diabetes. Esta diferenciação é realizada apenas por testes virológicos. 

  • Quem é a pessoa com diabetes que deve procurar avaliação hospitalar por suspeita de COVID-19? 

As pessoas com diabetes que apresentarem sintoma respiratório (tosse é o mais visto) e febre mantida por mais de um dia ou desconforto para respirar, mesmo sem febre.

  • Antibióticos podem ser usados para tratamento ou prevenção da COVID-19 em pessoas com diabetes?

  Não, antibióticos não previnem ou tratam vírus, tratam infecções bacterianas. Portanto, não tratam nem previnem COVID-19 em pessoas com diabetes. O estudo que mostrou o benefício de um pequeno número de pacientes recebendo o antibiótico Azitromicina (associado a Hidroxicloroquina) avaliou que estes mesmos pacientes pudessem ter uma infecção bacteriana concomitante e, desta forma, melhoraram por esta razão. 

  • O tratamento para os casos graves de coronavírus com pneumonia e insuficiência respiratória é diferente em pessoas com diabetes? 

Não. Atualmente, o tratamento para estes casos é a suplementação de oxigênio e, se necessário, a ventilação mecânica. Na evidência de falta de ar é importante procurar assistência médica.

 

FONTES: The impact of COVID-19 on people with diabetes in Brazil

Sociedade Brasileira de Diabetes

Associations of type 1 and type 2 diabetes with COVID-19-related mortality in England: a whole-population study

COVID-19 in people with diabetes: understanding the reasons for worse outcomes