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Reabertura das escolas: entenda a questão

A pandemia de COVID-19 fez com que escolas fossem fechadas temporariamente em mais de 190 países, afetando cerca de 1,57 bilhão de crianças em abril. Esse número corresponde à 90% da população infantil do mundo, segundo dados da UNESCO. Depois de quase cinco meses do fechamento da maioria das escolas, os governos estão decidindo se já é a hora da reabertura.

Essa decisão é complexa porque ainda não foi encontrada uma cura ou vacina para o vírus e ele continua evoluindo, mas não de forma linear. Em vários lugares do Brasil o isolamento social está sendo suspenso de maneira gradual, mas com muitas dúvidas sobre como o processo poderá garantir a segurança de todos. Além disso, ainda existem questões educacionais sobre o ensino a distância – como a lacuna criada no desenvolvimento acadêmico – e o receio de que, com o fechamento prolongado das escolas, as desigualdades sociais fiquem ainda mais evidentes.

Desigualdade social

No artigo “Reabertura das escolas primárias”, do The New England Journal of Medicine, os autores apontam que “profundas injustiças raciais e socioeconômicas serão ainda mais exacerbadas” se pelo menos o Ensino Fundamental não voltar a funcionar logo. 

A explicação é que, fora do colégio, as crianças perdem o aprendizado acadêmico e socioemocional essencial. Isso inclui as relações formativas com colegas e adultos, oportunidades para brincar e outras necessidades de desenvolvimento. O panorama fica ainda pior com crianças vivendo na pobreza ou com deficiências diagnosticadas, que sofrem perdas especialmente graves. 

Para os médicos autores do artigo, reabrir ou não escolas primárias não é apenas uma questão científica e tecnocrática, mas também emocional e moral. Isso porque as escolas são responsáveis não só pela educação acadêmica das crianças, mas muitas vezes são elas que fornecem um ambiente seguro e alimentação (o que pode faltar em muitas casas), além de serem um “abrigo” para os filhos enquanto os pais trabalham.

Segurança

Entendendo a importância da reabertura das escolas, fica a dúvida: é seguro voltar às aulas? 

Recentemente uma pesquisa publicada na revista científica The Lancet Child & Adolescent Health sugeriu que sim, é seguro e as escolas podem reabrir em locais que determinem outras formas de controlar o COVID-19. Segundo a pesquisa, que monitorou os casos em um estado da Austrália, as escolas não foram grande foco de infecção de coronavírus. Das 7,7 mil instituições observadas, só 25 apresentaram casos (mais da metade entre professores e funcionários).

Porém, alguns estudos vão na contramão dessas boas notícias. A revista Science também publicou pesquisas sobre o tema, mostrando que existem muitas crianças assintomáticas que podem agir apenas como propagadoras do vírus. No artigo, evidencia-se uma escola de ensino fundamental e médio em Jerusalém, onde 153 alunos e 25 funcionários foram infectados. 

O que podemos esperar sobre a reabertura das escolas no Brasil?

Aqui no Brasil a maioria das escolas permanece fechada, mas alguns locais já iniciaram a reabertura e devem contar com medidas de segurança e recursos como o “modelo híbrido” (com uma parte das atividades presencial e outra a distância), recomendado pelo Conselho Nacional de Educação

Em um manual sobre reabertura das escolas, pesquisadores da Fiocruz indicam que “é possível que tenhamos que conciliar o retorno das atividades com novas suspensões, que serão indicadas pelas autoridades educacionais, sanitárias e governamentais. Essa alternância entre isolamento social e retorno às atividades poderá vigorar por algum tempo até o alcance da imunidade coletiva”.

O Ministério da Saúde também divulgou um documento com orientações para a reabertura das escolas públicas no Brasil. Entre eles, existem medidas como o escalonamento dos horários de entrada e saída, marcações no chão que indicam o distanciamento social, restrição de atividades em grupo, entre outros.

FONTES: Revista Science 
Portal Fiocruz
UNESCO
The Lancet Child & Adolescent Health
BBC
The New England Journal of Medicine
Ministério da Saúde